Nu e Cru: Uma História Despida de Tabus

Desde que Adão e Eva deram pela falta de roupa no Éden (e improvisaram com folhas, porque ainda não havia Zara), que o ser humano anda a tapar o que a natureza lhe deu — com um certo embaraço e muitos “ai Jesus”.

Mas afinal, porque é que ainda hoje a nudez e a sexualidade continuam a ser encaradas com tanto tabu? Vamos despir esta questão, com uma boa dose de curiosidade histórica.

Das civilizações nuas aos recatos medievais

Sabias que na Grécia Antiga os atletas competiam nus nos Jogos Olímpicos? Era símbolo de honra, estética e força. A palavra ginásio vem mesmo do grego gymnós, que significa “nu”. E em Roma, os banhos públicos eram como ir ao shopping: encontrava-se gente de todas as idades, nú, a socializar sem pudores.

Já na Índia antiga, os templos de Khajuraho foram literalmente esculpidos com cenas eróticas — uma verdadeira ode ao prazer. E em tribos africanas e sul-americanas ainda hoje, a nudez é vista como parte natural do corpo e não como algo sexualizado.

Mas… depois veio a Idade Média na Europa. E com ela, o recato. A influência da Igreja Católica transformou o corpo humano em símbolo de pecado. O sexo, que era uma expressão de vida, virou algo “a esconder debaixo dos lençóis… e da moral”.

O século XX: da censura à revolução sexual

No século XX, a sexualidade começou a sair do armário — devagarinho. Freud ajudou a dar voz ao desejo reprimido, e com os anos 60 veio a “libertação sexual”, com hippies, minissaias e o famoso “amor livre”. A pílula anticoncepcional libertou muitas mulheres de décadas de controlo reprodutivo, e o topless tornou-se um acto de liberdade (e polémica em muitas praias).

Mesmo assim, a nudez e o sexo continuam a ser temas carregados de juízos. Basta uma campanha publicitária com um corpo exposto para causar escândalo — ou pelo menos comentários no Facebook.

Curiosidades que (provavelmente) não sabias:

  • A lei portuguesa só considera “exibição sexual” um crime se houver intenção de ofender ou chocar. Ficar nu numa praia naturista? Tranquilo.
  • Em Portugal existem praias naturistas legais desde 1995, mas ainda há quem ache que “nudismo é só para alemães”.
  • Estudos indicam que sociedades com menos tabus sexuais tendem a ter menos casos de violência sexual. Falar sobre sexo… protege.
  • O primeiro filme com nudez total aprovado pela censura em Portugal foi O Crime de Aldeia Velha (1964), e mesmo assim, deu polémica.
  • Em algumas culturas indígenas, o tabu é exatamente o oposto: mostrar os joelhos ou os ombros pode ser mais ofensivo do que mostrar os genitais.

Em conclusão:

O problema nunca foi o corpo — é o preconceito que anda sempre vestido de moralismo. Talvez o mundo ficasse melhor se trocássemos os filtros por mais naturalidade… e usássemos o bom senso como roupa interior: discreta, mas sempre presente.

Um comentário

  1. Mais uma vez uma excelente e simples abordagem a mais um assunto linteressante. Adorei paralelismo cultural e de época. Este tema daria pano para mangas 🙂 existem muitos complexos e, muitas das vezes, criados por nós mesmos. A verdade é que o despojar da roupa, a auto-estima, o gostar de nós como mais ninguém…eleva o sexo. Next level mesm! Algo em que todos devíamos trabalhar com afinco. Obrigada por mais um belo artigo

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